
Um casarão. Seres sobrenaturais semelhantes a bruxas,vampiros e duendes transitam por seus corredores arbóreos que mimetizam numa versão miniaturizada o labirinto de Minos. No ar, paira uma lua prateada enquanto uma densa bruma bruxuleante serpenteia pelo chão em comemoração à um escritor morto a dois séculos.
Parece um roteiro de um filme de terror gótico, mas trata-se de uma pequena resenha do que foi a
Mansão Macabra, o Halloween cultural da
Casa das Rosas (Av. Paulista, 37, São Paulo - SP, 01311-000) e como é de praxe a equipe
Ravens House Brasil compareceu para cobrir este fantasmagórico evento.
A Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura escolheu o

bicentenário do poeta
Edgar Allan Poe como tema da segunda edição do Mansão Macabra – o Halloween da Casa das Rosas e apesar do evento ter começado às 19:00 a festa começou realmente em torno da décima badalada noturna e figuras respeitadas do cenário fantástico marcaram sua presença no local como
Adriano Siqueira,
Giulia Moon e
Martha Argel. No interior da casa o clima era de um baile de máscaras com muita fumaça e visitantes devidamente trajados para a ocasião. Tudo muito bem elaborado, mas com algumas falhas na minha opinião. Por exemplo,o evento prometeu saraus, sessões de contos de horror, teatro e "passeios assombrados" que precisavam de uma senha que só era conseguida através de uma fila colossal, o que causou um certo desânimo nos visitantes. Resolvi então desistir dos saraus e tomar um cafézinho...
No
Café Panaroma (sim, é Panaroma mesmo!!!) foram exibidos pérolas do cinema expressionista alemão como "
The Man Whos Laugh", "
Nosferatu" e "
The Gabinet of Dr. Caligari" e em intervalos regulares uma sessão de contadores de histórias homenagearam o grande Poe narrando contos como "
Sepultamento Prematuro" e "
O Poço e o Pêndulo", mas o que realmente me assustou foi o preço do café expresso... mas trabalho é trabalho e vamos seguindo!
Exatamente à meia-noite e meia, nos jardins da Casa das Rosas, (banhado pela nostalgia da música gótica oitentista) consegui assistir a peça "
Nosferatu" com direito a trilha sonora da banda Portishead que terminou um tanto confusa, deixando os espectadores com aquela cara de "Já acabou?".

Ainda reclamando do café fui tentar ver o
Recital de Poemas Malditos por meio das leituras de
Luiz Roberto Guedes, Luiz Alberto Machado Cabral, Donny Correia, Frederico Barbosa, Martha Argel e Greta Benitez, que interpretaram poemas de
Edgar Allan Poe, Baudelaire, Lord Byron, Álvares de Azevedo e
Augusto dos Anjos, mas desisti ao ver o tamanho da fila, tão grande como a descida ao Maelstrom e decidi ouvir do lado de fora, o que tornou a coisa um pouco mais interessante. Um "convidado" bêbado recitava na porta da Casa das Rosas alguns poemas antes mesmo dos convidados para o recital, causando um certo desconforto nos seguranças do local que "re-convidaram" o cidadão a se retirar. Estas e outras coisas são trazidas pelo espírito do Halloween e principalmente se a comemoração for dedicada à Edgar A. Poe que também era chegado numa "canjibrina" e não duvido que seu espírito tenha atravessado países para presenciar a homenagem póstuma à sua pessoa porque o que apareceram de mendigos e bêbados no local era no mínimo, surreal. E o mais estranho ainda era que eles se mostraram mais letrados e interativos que a própria nata gótica da Paulista.
Mistérios do Dia das Bruxas...
Pra terminar o evento o ambiente tenebroso da Casa da

Rosas foi tomado por luzes coloridas, estroboscópios e nuvens de fumaça colorida anunciando às quatro da matina a apresentação da banda
Interlude, prestando tributo a uma das mais importantes, influentes e admiradas bandas inglesas de todos os tempos:
The Cure.
Chegada as seis horas da manhã nossa equipe remelenta se preparava para ir pra casa (tão sonolentos que nem esperaram o café matinal), mas o evento da Mansão Macabra se arrastou até as 18:00 horas do domingo com sessões apropriadas ao público infantil e nós da Ravens House Brasil ficamos tão esfarrapados que nem precisamos de maquiagem para participar da
Zombie Walk na segunda-feira.
Em suma, uma grande noite que só voltará daqui a duzentos anos...